bonheur clandestin
sorte de hoje:
divida sua felicidade com os outros hoje mesmo.
estou bem próxima.
dentro de pouco tempo terei alucinações de sono. falta de sono. meu corpo está com a sensação incomoda de viver mais do que podia hoje. e ainda não quero dormir. horas em frente ao computador tentando me atualizar e baixar um dicionário de sinonimos. por que, meu deus, é tão difícil baixar um dicionário de sinonimos? '- responda, vagabundo!', eu disse no msn para um amigo. e ele respondeu 'não sei'. o vagabundo não era ele, e sim o outro barbudo. ele também disse que eu poderia encontrar no word. não deus, o meu amigo. deus se absteve. eu não tenho word. nada de dicionário de sinônimos. quanto mais tempo ficar aqui, menos sinônimos terei em mente. e mais dores nos ombros.
eu pareço rabugenta. (?)
encontrei um outro amigo em frente ao vestibular. gosto de chamá-los todos amigos, mesmo não passando de um recém-conhecido. assim as pessoas são mais minhas. ele só me conhecia por fotos e confessou hoje que me achou deprimida. '-mas depois que falei contigo, te achei animada'. não foi animada a palavra, mas assim meu cérebro registrou: deprimida e animada. expliquei que porta de vestibular não é a coisa mais animadora para mim. ele quis saber se escrevi algo no meu caderno sobre ele. meu 'caderno de joel barish'. não escrevi, mas escrevo agora. entenda, não sou deprimida, mas prefiro cafés à meio-fio esperando prova.
talvez ele esteja certo, ando fazendo coisas de gente rabugenta. passei um dia inteiro sem tocar os pés na rua. começo à ler enquanto as pessoas falam, faço comentários com sinceridade gratuita. e essas são as rabugices mais felizes. hoje decidi que quero comprar taças. não é bom? se alguém me pergunta: 'o que fizestes de bom hoje?', me alegro em contar sobre minhas taças que ainda não tenho. taças que lembram tulipas. e isso não me parece rabugento.
agora, por exemplo, vou me permitir grandes alegrias: um banho demorado ouvindo billie holiday, a manhã que quase nunca vejo, um café e um pãozinho na padaria, um passeio pela praça com minha maquina fotográfica e horas seguidas de sono. e tem meu presente: 'o livro de cabeceira'. que não é um livro, mas um filme. sobra tempo ainda pra ler e pensar no meu novo assunto preferido: lenhadores.
porque lenhadores, sim, lenhadores vão tirar qualquer dúvida sobre minha rabugice. minha felicidades clandestina..

